sexta-feira, 25 de janeiro de 2008





cicatrizava tudo aquilo que temia


o sol nascendo antes da solidão


a brancura vigilante das paredes


a felicidade cobrando o preço devido


os domingos infestados de passarinhos e nuvens




cicatrizava em silêncio


(nem seus ossos o ouviam)


cicatrizava qual lamento


(há memórias presas nas retinas)




beirando a loucura


disfarçar a dor


escrever o mesmo nome


no mesmo caderno


letra após letra


fingindo que a felicidade


teimaria em voltar


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007


na última vez em que estiveram sozinhos, estrangulados um do outro, era uma tarde de dezembro e embora não chovesse, o céu parecia escuro demais, ruidoso demais, distante demais,envelhecido demais. havia fotos sobre a cama, memórias fixadas à parede e um amontoado de sonhos, sonhos em sépia, feito chão outonal coberto de folhas. fecharei a porta sem olhar para trás, pensou. atravessarei a rua com passos firmes, decidiu. seguirei adiante mesmo que aos tropeços. é isso? deixar tudo porque tens medo, porque abraças o vazio como quem rumina esperanças? fraco, é o que és. um tecelão de destinos reticentes. na última vez em que estiveram sozinhos restava uma pálida imagem refletida no espelho, feita de rostos tristes a velar o anúncio de um amanhã tranqüilo, acomodado e pio. porque a imobilidade sobrevive ao tempo quando o amor está farto de si.


imagem de dino valls

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


amargura, diziam
percorrendo as vestes do cotidiano
exumando o passado
atados um ao outro
com medo da solidão


imagem de mário eloy pereira

domingo, 4 de novembro de 2007


alheios ao tempo ficavam
acreditando frear a sanidade
trazida às suas entranhas
feito sobras de um amor bretoniano

imagem de dino valls

sábado, 6 de outubro de 2007

quando a distância aproxima desamor e indiferença
crescendo no peito uma aurora muda
destelhada e terminalmente vazia
são restos os sonhos que sobrevivem às retinas
tristes ecos reticentes abrigados em si mesmos


imagem de eduardo naranjo

domingo, 23 de setembro de 2007

acolhe-me em teus braços gentis
e canta uma canção que me traga acalento
hoje eu preciso da tua companhia
e não do silêncio que vem com o luar


imagem de redon

segunda-feira, 3 de setembro de 2007


o céu que nos protege
tem cor de palavras
quando escritas em gritos

sob as pálpebras dos sonhos