quinta-feira, 11 de agosto de 2011



escapam mentiras
[margens de quem somos]
dimensão exata
inequívoca
daquilo que desdito
nos é espelho
.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

busco teu olhar

longe daqui

onde sobrevivem-me

tropeços e vagas lembranças

que pulsam à revelia da razão

sexta-feira, 8 de abril de 2011

habitei meu umbigo de ti
consumi horas, peito dilacerado
pra que o tempo
fosse incapaz de alimentar-te pesadelos
[mas você esgotou-se de sonhos]
enquanto eu repousava girassóis no teu amanhecer

quarta-feira, 9 de março de 2011


fosse amor e não haveria
tanto ar pra respirar
tanto chão pra pouco voo...
fosse amor e não haveria
o sol nascente pondo-se entre nós

domingo, 19 de dezembro de 2010


o destino pereceu-lhes claro
não haveria espaço a ser transposto
ficariam ali
agarrados um ao outro
até o medo passar
até a vida findar
e a isso chamariam
amor.

imagem de bernardo torrens

terça-feira, 12 de outubro de 2010

partiremos
resta saber se escombros
ou sementeiras de sonhos

domingo, 18 de julho de 2010

inexiste tristeza quando se está absorto, disse. a perda multiplica-se sob o efeito do oxigênio, daí a necessidade desse sufoco que agora habita o meu peito, disse. interromper todo e quaisquer sonhos antes que finquem raízes aborta o fracasso, disse. a dor é maior que a solidão porque alimenta-se da felicidade, por isso disfarço sorrisos e trancafio esperanças no que ensimesmo em palavras, disse. veio o fim de tarde e com ele pancadas de chuva. o inverno pareceu-me menor quando visto de fora.