terça-feira, 21 de outubro de 2008

éramos sobras
um aglomerado de emoções
rasteiras
medrosas
raquíticas

e mentíamos a nós mesmos
cúmplices de um enredo aprendido
em culposo silêncio
enterrado
nos abismos da pele

enquanto jurávamos amor
como se a eternidade fosse
nada além de
um lugar distante
por alcançar

mas é que hoje ao olhar ao meu rosto cansado
vejo um pálido aceno
de um adeus covarde
que sabemos
não vai chegar


imagem de naranjo

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

parto
porque em mim
já não há mais o que possas
sonhar

imagem de arturo montoto

sexta-feira, 5 de setembro de 2008


ficamos

mas por acaso sabemos

quantos de nós

ainda há nesse adeus

que agoniza ao partir?
imagem de flor minor

sexta-feira, 15 de agosto de 2008


desconheces a permanência rígida
limítrofe
da saudade a empurrar-me
ao silêncio caduco
entricheirado
nas memórias que despertas em mim

quarta-feira, 16 de julho de 2008


onde começa em ti o deserto
essa história que esperanças
feita de sonhos alheios
como se fossem teus?

onde finda em ti a tristeza
essa cicatriz que desfigura
feita dum amor barato
como se fosse o meu?



imagem de dino valls

domingo, 25 de maio de 2008


pudesse o amor frear a distância
escrita no abandono apossado de nós
e eu não estaria aqui remendando palavras
apequenado pela mudez dessa página em branco




imagem de agustin bejarano

segunda-feira, 28 de abril de 2008




mortos


falavam apenas do que não sentiam


tocavam apenas o que já sabiam


sonhavam sonhos que em si mentiam


não mais sorriam


não mais