quarta-feira, 13 de setembro de 2006



há paisagens se desfazendo diante de nós. ruidosa, a cidade escoa o excedente, as sobras desta primavera anunciada com entusiasmo. bobagem! estou diante de fatos: teu amor embruteceu e eu sinto-me velho para acreditar nisso de esperanças renovadas. eu sei das cores que a nova estação trará e aceito teus argumentos, todos, mas não aprendi a calar meu desconforto. uma questão de sobrevivência, escuta: é preciso abortar-nos por completo para que a nossa vida escape desse desmoronamento. amanhã, espero não estares ao meu lado. até lá, vou fingindo que tudo está bem. este é o custo de anos e anos de convivência, respeito, rotina e ilusões. infelizmente, só descobrimos agora. e já é tarde, tarde demais.

6 comentários:

pedro pan disse...

, texto que toca em pontos delicados de uma vida a dois. quando a rotina ajuda a atrapalhar...
|abraços meus|

m.t. disse...
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m.t. disse...

é duro quando as palavras de adeus no meio da estrada não alcançam o gesto do que ficou...

Tempestade disse...

Quando o Tudo é Nada, a fumaça pesa no ar, as paredes oscilam, o mundo explode em mil pedaços. Na vastidão das sombras que preenchem de abismos os labirintos do espírito, nossos pensamentos fragmentados se cruzam em tecedura de silêncios. Aprisionados neste quarto e a mil anos-luz distantes um do outro, fantasmas transtornados e em mutação perpétua, regurgitamos o fel das mágoas que ao longo do tempo calamos. Covardes na despedida, dizemos até logo sabendo que é adeus.

....um beijo

Fernando Palma disse...

Sabe, Douglas, eu fiquei um tempo fora do cenário poético dos blogs e comparando seus textos com os de antes, percebo que tens muito mais otimismo nas palavras, mesmo que vc se sinta "velho para acreditar", ainda parece que no fundo acredita, te lendo assim.

Um abraçoo!

Celso disse...

a convivência custa mais do que imaginamos, meu caro! belo texto.

SDS