segunda-feira, 20 de março de 2006



As paredes do quarto
Ganham outras formas e texturas
Quando as cores da primavera ficam mais distantes.

A alma tateia a superfície do medo
E o peso de cada momento redobra
Quando a chuva lá fora varre lembranças.

Nesta agônica cantiga
A crueza do abandono resvala nas horas
Quando a dormência dos indigentes infesta a esperança.

[cai sobre meus ombros o que restou das recordações]

Povoada por sons
A melancolia do poente anoitece a sanidade
Quando a febre em mim persiste.

Um lampejo e sou deus
Um aceno e desfaço ilusões
Um segundo a mais e seria poesia.

4 comentários:

Celso disse...

um terceto final perfeito, meu caro poeta.

cada vez melhor.

saudações

tb disse...

Fiquei sem palavras....belo, perfeito!
Abraços

hfm disse...

Gostei muito de ler. Obrigada pela visita.

Joana Careca disse...

Ola,
Passei aqui.
Beijos
Joana