domingo, 5 de março de 2006





NOTAS ESPARSAS D’UMA MANHÃ SEM SOL
Haveria de ser algo que destroçasse
Nenhuma palavra poderia escapar
Dos nossos corpos suados e sós
Largados na cama como sobras
Disfarçando o amor até a medula
Na cômica cadência moribunda de cada dia

Haveria de ser algo que rasgasse
Nenhum sentimento poderia saber
Dos nossos mudos dissabores e nós
Amedrontados nos ossos sem fé
Cuspindo nas almas o escárnio
Na trágica dormência dos desejos descumpridos.

4 comentários:

teresa disse...

numa sociedade que não nos permite cumpri os desejos...
Amei, Douglas, como as tuas palavras me tocam!
beijo
teresa

Celso disse...

escárnio e desejos descumpridos, não poderia ser mais propícia esta leitura meu caro.

Saudações

amina ruthar disse...

...ah!, os desejos não cumpridos, deveriamn sempre sugados pela dormência eterna,da vida ou das mortes nossas de cada dia. e sem direito a ressurreição.
bjs, amina

bell disse...

pena que vc não achas que eu estou nos que te acolheram...
que lástima à ser pensada....

bjs*