sábado, 10 de março de 2007


nesta madrugada ausente
dos teus olhos
já não sei
se emudeço ou parto
outros céus em cores
covardemente perfiladas
na palma das minhas mãos
...
imagem vicente dopico

quinta-feira, 1 de março de 2007


meu reflexo
reconhece o tempo
e trai-me a confiança
quando noite
inflexível
por dentro vasculha
a velhice que temo

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

naranjo
mas eram teus olhos
que de lua disfarçados
alumiavam-me a solidão
naqueles tempos de amargura
onde o céu devorava estrelas
cuspindo desesperança sobre nós

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007


siegfried
estranhos mundos
os teus
não se aquietam
quando sós
descascam a tinta das paredes
do quarto onde escondo meus sonhos
fiapos de sombras murmurando bendizeres
quando rogo clemência
loucos
dão-me as costas em temor

domingo, 21 de janeiro de 2007


escapo à solidão que não soube me devorar, em silêncio. os odores da madrugada vêem-me verticalizar o prenúncio duma aurora possível de ser sonhada, sem ti. espantalho, desfiz o nó do medo e cementei meu coração. só o que pedi era pra que amanhecesses meus girassóis.


não há mais rastros da saudade
somos dois estranhos inventados por nós mesmos
neste quarto limpo de vida
a recortar nossa história em pedacinhos
VISÍVEIS demais para serem ignorados
DISTANTES demais para serem caminhados
MEDROSOS demais para serem amados
PATÉTICAS amostras dum fim arrastado

terça-feira, 9 de janeiro de 2007


quando a descrença
apodera-se de mim
não quero saber
do tempo a demorar
enfiado em si mesmo
preso às coisas banais
aos pormenores viciosos
e às incômodas minúcias
apalavradas com a sanidade

quero apenas escapar
desse deserto imune às cores
e dentro de uma nuvem cheia
ser capaz de chover felicidade
pra desertar dessa tristeza tão imensa
alimento da tua ausência inacabada
bem maior que a solidão

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

eduardo naranjo

gotejante veneno
descendo
corpo abaixo
narinas vedadas
coração estacionado
punho enfiado no eixo
do amor
só o que importa
QUEDA