quinta-feira, 30 de novembro de 2017



somos hábito


somos parcos, nós


poucos enfim, sós


[antes seguíssemos loucos]

avessos aos dias que nascem

geminados uns aos outros


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Aceitei o convite do Cláudio B. Carlos (CC), e agora escrevo aqui, em boa companhia.

http://donazicatabraba.wordpress.com/


quinta-feira, 11 de agosto de 2011



escapam mentiras
[margens de quem somos]
dimensão exata
inequívoca
daquilo que desdito
nos é espelho
.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

busco teu olhar

longe daqui

onde sobrevivem-me

tropeços e vagas lembranças

que pulsam à revelia da razão

sexta-feira, 8 de abril de 2011

habitei meu umbigo de ti
consumi horas, peito dilacerado
pra que o tempo
fosse incapaz de alimentar-te pesadelos
[mas você esgotou-se de sonhos]
enquanto eu repousava girassóis no teu amanhecer

quarta-feira, 9 de março de 2011


fosse amor e não haveria
tanto ar pra respirar
tanto chão pra pouco voo...
fosse amor e não haveria
o sol nascente pondo-se entre nós

domingo, 19 de dezembro de 2010


o destino pereceu-lhes claro
não haveria espaço a ser transposto
ficariam ali
agarrados um ao outro
até o medo passar
até a vida findar
e a isso chamariam
amor.

imagem de bernardo torrens

terça-feira, 12 de outubro de 2010

partiremos
resta saber se escombros
ou sementeiras de sonhos

domingo, 18 de julho de 2010

inexiste tristeza quando se está absorto, disse. a perda multiplica-se sob o efeito do oxigênio, daí a necessidade desse sufoco que agora habita o meu peito, disse. interromper todo e quaisquer sonhos antes que finquem raízes aborta o fracasso, disse. a dor é maior que a solidão porque alimenta-se da felicidade, por isso disfarço sorrisos e trancafio esperanças no que ensimesmo em palavras, disse. veio o fim de tarde e com ele pancadas de chuva. o inverno pareceu-me menor quando visto de fora.

terça-feira, 15 de junho de 2010


teu dedo sobre os lábios
violenta-me
a arquitetura do silêncio

imagem de dino valls

terça-feira, 25 de maio de 2010



vivemos de destroços

nem mesmo sobras

mas contentamo-nos

refugiados sob a certeza

de que amor é coisa que não se desfaz

mesmo que remendado

ou eterno porque nó



imagen de ben howe

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

imagem de eduardo naranjo

uma canção triste, foi o que você disse
e atravessado por um único olhar
eu soube nossos remendos
não nos sustentarem mais

domingo, 25 de outubro de 2009




mentiras postas à frente

reduzo-te a breves momentos

nem assim livres da dúvida

[seriam teus olhos meu aporte

seriam tuas promessas meu pesar?]

imagem de dino valls

domingo, 23 de agosto de 2009

[acometo-me]
hoje dormes ao meu lado
sem notar o quanto de mim já morreu
[naquilo que sonhas]

quinta-feira, 30 de julho de 2009


imagem de dorothea tanning

[assombra-me teu sorriso]
hoje escolhes a esmo
meus fracassos
e o homem
que serei

domingo, 28 de junho de 2009



teus olhos
há pressa em
devorar-me
céu
dor
medo
as cores
todas
que sabem meus
amanhãs
(imagem de carrie ann baade)

terça-feira, 2 de junho de 2009

aquilo que resta
deve ser estrangulado
todos os dias
meticulosamente
diante de nós
porque amor
porque não mais

domingo, 26 de abril de 2009




imagem de eduardo naranjo



responde, pai
a este resto de homem
por que o medo de te amar
roubou-me de mim

sexta-feira, 3 de abril de 2009


imagem de andre martins de barros

ruminavas contigo
insegurança
e um monte de mentiras
enquanto eu
disfarçava minhas fraquezas
com diálogos intermináveis
numa paródia barata de quem fomos
epílogo estrangulado a quatro mãos

quarta-feira, 4 de março de 2009


imagem de beau white
eu não sou feito das tripas
que alimentam o teu ódio
amargam a tua existência
rapinadora de sonhos
e
nem vivo a esconder-me
atrás dessa saudável felicidade
que inventas com as mãos precisas
de quem sabe mentir

[porque é só o que te resta
porque é só o que te cabe
porque é só o que te mantém assim]