sábado, 19 de agosto de 2006

desfaz-te
ilusão suspensa entre a brancura das nuvens
e o peso esquecido das folhas de papel
entulhadas na gaveta da escrivaninha
desse quarto
onde passas horas
e horas
e horas
rabiscando frágeis poesias
perdido da infância
abraçado à saudade
que perfura os ossos
que corrói a certeza
TORNIQUETE
apertando-te o coração e as palavras
esparsas imagens diante do rosto
envelhecido
cansado
medroso
desse homem
fazedor de invisíveis mundos
onde só um pode habitar

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

yolanda velazquez
CANÇÃO GUARDANDO AURORAS

as horas marcavam
aquilo que inexistia
longe de ti

– foi o vento que trouxe
teu nome de volta
escrevendo outro destino
nas páginas vazias
das minhas canções –

segunda-feira, 31 de julho de 2006

escape
não fuja
tranque todos os sonhos
nas gavetas
lapide frases e descreva
diante do espelho
quem és
&
mesmo que seja pouco
detalhe aquilo que não houve
após a mudez da mentira
ter cobrado o preço
- eis a felicidade -
(apenas fragmentos importam
se tudo o que alcanças
são fracassos)

quarta-feira, 12 de julho de 2006



pro syd
não foi a morte
não
nem as vozes que cutucavam
a tua cabeça
nem a lua, escura e desatenta
de ti

não foi a morte
não
nem o teu silêncio aprisionado
no peito
nem as manhãs, frias e esqueléticas
sem ti

[os anjos sabem teu nome]

domingo, 2 de julho de 2006


a solidão por vezes estrangula
– quando deixamos de ser companhia –
a solidão não duvida nem titubeia

– olha direto nos olhos –
a solidão tem dedos magros e longos

– sabe onde a nossa dor está escondida –
[fiel, repousa em silêncio no lado de dentro da esperança]

sábado, 17 de junho de 2006


limpo de toda palavra
minha descida é nula

espécie de medo
preso entre os dentes

um sol envasilhado & estrelas
envelhecidas pela arritmia

dos meus pés descalços
sem chão para sonhar

domingo, 11 de junho de 2006


tecendo incoerência
preso neste emaranhado de tristeza
eu abdico do calar
ESTACIONANDO NAS FOTOGRAFIAS ENVELHECIDAS
redefino o verbo
recapitulo a dor
acendo velas ao que partiu
sonho sozinho
mesmo não tendo o que sonhar

[fotos guardam dias e noites
sem estrelas sem lua sem sol]